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Marginalizado no passado...Maravilhoso presente dos tempos modernos

A gravura do artista Richard Pynson, foi a primeira a representar o bulldog no Berjeau "Book of Dogs" (1521). O artista Howitt (1798) fez outro importante desenho que nos dá claramente uma ideia sobre como os Bulldogs eram fisicamente naquele tempo.



Durante as primeiras décadas do século XIX as brigas de animais estavam organizadas em todos os lugares, na Inglaterra, como um entretenimento popular.

O esporte foi tão apreciado pelos ingleses que alguns destes lugares, onde havia arena para a prática do esporte, passaram a ter seus nomes relacionados com a história dos bullbaitings, mantendo isto até hoje;

Nesta época a tecnologia, hoje chamada de “fotografia”, estava em processo de invenção - entre 1823 e 1826, sendo que somente quatro anos após a proibição do bullbaiting o francês Louis Daguerre, em 1839 anunciava o daguerreótipo (processo fotográfico feito sem uma imagem negativa), inventado por ele e declarado pelo Governo Francês como domínio público.

Os poucos privilegiados que tinham acesso a tal maravilha da tecnologia usavam as pesadas máquinas (verdadeiros caixotes de madeira) para fotografar paisagens deslumbrantes e pessoas importantes (O abade Louis Compte em 1840 fez uma demonstração da daguerrotipia à Dom Pedro II [fonte: Jornal do Commercio, de 17 de janeiro de 1840] e D. Pedro II se tornou o primeiro fotógrafo brasileiro com menos de 15 anos, quando no mesmo ano de 1840 adquiriu um daguerreótipo, em Paris; A primeira fotografia tirada de Abraham Lincoln, em 1846 e a foto de Edgar Allan Poe, em 1848, pouco tempo antes de sua morte, também foram registradas por um daguerreótipo). Como vemos, a fotografia na década de 1840 era bem de consumo reservado para celebridades, e mesmo que o invento precedesse o fim do bullbaiting (1835) seria inimaginável alguém utilizar o moderno e espantoso engenho (rara e cara tecnologia) para registrar imagens de animais lutando numa arena; Por isto não temos fotos de bulldogs daquela época.

A fundação, na Inglaterra, do THE KENNEL CLUB (o primeiro Kennel Club do mundo) ocorreu quatro décadas após a proibição dos bullbaitings, uma década após a raça bulldog ter o seu standard, de nome "PHILO KUON", redigido por Samuel Wickens (1864). Este foi o primeiro standard de uma raça canina.

Um ano após o "Philo-Kuon" entrar em vigor os bulldoggers se organizaram e fundaram o Bulldog Club (1865), associação que precedeu a própria fundação do The Kennel Club (1873).

The Bulldog Club é o embrião da cinofilia mundial, movimento que promoveu a invenção do STANDARD (padrão racial) - a redação descritiva de como determinada raça canina deveria ser, inventando também a primeira associação de aficionados por uma raça canina (o prmeiro clube especializado), isto ocorrendo antes da cinofilia existir como instituição. Após a fundação do THE KENNEL os ingleses fomentaram o surgimento de dezenas de novas raças caninas.

Natural será o entendimento que do ano 1521 - quando a gravura do artista Richard Pynson foi feita - até o ano de 1798, quando Howitt fez outra importante gravura representando o bulldog da época, mutações muito significativas ocorreram nas gerações nascidas nestes 270 anos de seleção. A prática do esporte requeria exemplares com fenótipos apropriados para obtenção do melhor performance nas lutas, sendo de suma importância que tal seleção, em escala evolutiva, os adaptasse a cada geração para a prática do esporte que era, de fato, um negócio muito lucrativo, meramente movido por interesse nas apostas...Não era movido por ideais;

Outra consideração a ser feita nesta escala evolutiva da anatomia da raça é que a mutação no fenótipo dos bulldogs foi proposital e mais intensa à medida que o tempo avançava, e 100 anos à frente partindo do ano que o bulldog de Howit foi desenhado chegamos na segunda década do século XIX com o bulldog no apogeu da popularidade.

Algumas ilustrações do período próximo a 1820, feitas pelo desenhista Henry Alken, mostram como eram as brigas entre cães e ursos, entre cães e touros e também entre cães e outros animais selvagens, como os texugos.

Naquela ocasião já havia seleção de "tipos" e, busca dos mais promissores caninos para o desempenho de cada tipo de luta (o tipo do cão em consonância com o tipo de tarefa considerando o desempenho). O grande equívoco está na leviana/equivocada contra-informação disseminada propositalmente ou por ignorância nos dias atuais que naquele tempo haveria somente um tipo de cão em atividade em tais jogos. Tal como hoje naquele tempo já existiam vários fenótipos caninos (anatomias diversas) dentre 6 raças reconhecidas, nas quais foram testadas as habilidades e instintos para a escolha dos melhores exemplares a serem utilizados nos populares jogos visando o melhor desempenho. O melhor desempenho era a vitória, não havia derrota honrosa.

Bull-Baiting - no princípio não tinha regra alguma, porém, durante o século XVIII normas precisas formalizaram o esporte. De um a seis bulldogs lutavam com um único touro ao mesmo tempo; o touro era, na maioria dos casos, previamente amarrado na extremidade de uma corda cuja extremidade oposta ficava presa num anel férreo, de modo a forçar a briga e evitar a possível fuga. Pessoas apostavam somas de dinheiro sobre qual cão sairia vencedor. Vencia a luta o cão que primeiro conseguisse morder o touro por quanto tempo pudesse manter a mordida firme.

Os cães mais apropriados eram disputados a peso de ouro (procriados, selecionados e vendidos - havia um intenso comércio). Para obter o melhor performance no bullbaiting era necessário que o canino fosse dotado por uma possante mordedura em razão da descomunal força do touro. Essa poderosa mordedura está intrinsecamente relacionada com a anatomia do crânio canino: Mesaticefálico, dolicocefálico ou braquiocefálico. O importante era o desempenho de cada “raça” com o touro no bull ring (peça inteiramente de ferro ou de pedra com um aro de ferro, situada no centro da arena e na qual o touro era amarrado).

O bulldog apresentava imensa resistência à dor e uma tenacidade diabólica. Muitas vezes eviscerado retornava ao combate. Dotado por uma pesada e volumosa cabeça e o prognatismo: mandíbula avançada e maxilar recuado que confere capacidade de morder e não largar a presa, por isso eram os bulldogs, na sua ampla maioria os protagonistas dos bullbaitings, e dentre outros tipos caninos era o que mais vencia certames contra touros, razão pela qual a raça foi dominando os bullbaitings com predileção, chegando a ser razão de chacota contra algum bullot (dono de cão lutador de bullbaiting) caso o mesmo fizesse ingressar no ring outro tipo de cão dotado por crânio mesaticefálico ou dolicocefálico cuja mordedura "em pinça" dificultava que ele mantivesse a presa subjugada. Esse bullot não seria levado à sério e haveria escassa quantidade de apostas a favor do cão não braquicefálico.

Canino dolicocefálico, pelo seu baixo valor, ocasionalmente era usado no bullbaiting popular realizado nos vilarejos suburbanos, em área rural, para entretenimento de pessoas de baixa renda, mas não eram lançados nos torneios dos grandes centros de apostas; No entanto o cão não braquiocefálico apresentava excelente desempenho no bear baiting (luta contra ursos) e noutras modalidades de jogos, como as arenas de extermínio de ratos, onde apostas eram voltadas para valorizar o animal que no menor tempo matasse a maior quantidade de ratos (soltos numa arena circular e cercada). Nos bear baitings e rat baitings os Mesaticefálicos e dolicocefálicos, devido o formato da mandíbula e o tipo de mordedura superavam os bulldogs.

No entanto o bulldog, secular raça originada no antigo Pugnaces_Britanniae reinou absoluto e magestoso nas arenas de bullbaiting.

A proibição do bullbaiting (1835) acarretou uma drástica redução na densidade populacional do bulldog, em virtude dos criadores terem ido procurar uma atividade útil e alternativa para as diversas espécies que até aquele momento serviam ao propósito exclusivo de realizar lutas, uma vez que todos os tipos de rinhas foram proibidas.

Durante este período (1835), os bulldogs apresentavam características excepcionais, servidas exclusivamente para brigas; era extremamente difícil achar alguma outra proposta de emprego para um tipo de raça tão feroz cujo encargo era morder e dilacerar o focinho de um touro.

Como parar uma máquina de ataque e fazer com que o bulldog mudasse de atitude?

Por estas razões os criadores tentaram transformar Bulldogs em cães de caça, sem qualquer realização positiva; Bulldogs não puderam competir com reais raças de caça porque eles não tinham atributos (instinto de caçador) e foi considerado inadequado para este propósito. Eles tentaram cruzar Bulldogs com alguns cães de caça para aumentar a resistência física dos cães de caça, sem qualquer realização significante. Os cães resultantes tinham pouca velocidade e destroçavam a caça inutilizando-as para consumo.

No entanto no final do século XIX novas raças caninas (algumas delas cães de guarda) foram formadas com da adição de 1/3 do sangue de bulldog: Boxer, Bull terrier, Tosa, Fila Brasileiro, Bulldog Francês, etc

Tentaram usar o Bulldog puro como cão de guarda, mas os resultados foram até piores, a força incrível do Bulldog estava presente na maior parte dos exemplares, que mostrava singular e enorme ferocidade que chegou causar acidentes atingindo muitas vítimas humanas.

As autoridades foram forçadas a declarar os bulldogs ilegais e ele passou a ser marginalizado e sua criação vigiada.

Durante a segunda metade de século de XVIII, o Vaticano e determinadas localidades da área rural da Itália já haviam proibido que pessoas passeassem em público com um Bulldog, mesmo com o cão conduzido numa corrente.

Obviamente, Bulldogs terminaram por ganhar uma reputação de serem exclusivamente cães perigosos e inúteis.

Em conta destes fatos, que o cirurgião veterinário Dr. Youatt escreveu sobre Bulldogs no livro sobre cães editado no ano de 1835:

"Geralmente o ataque dele é silencioso mas feroz, os dentes dele e força de mandíbula o permite a segurar abaixo contra qualquer ser oposto, então o Bulldog é criminoso e é realmente perigoso para inofensivas visitas que inocentemente possam adentrar numa residência."

O escritor conclui dizendo que: "Bulldog é incapaz de ser submetido a qualquer forma de educação; sendo exclusivamente satisfatório para o cão utilizar a sua conhecida ferocidade em brigas".

O infortúnio da raça parece não ter encontrado solução, contudo as ilegais rinhas entre animais foram mantidas exclusivamente na clandestinagem, e os Bulldogs, por onde circulassem eram sempre mal vistos e a natureza má da raça gerou uma terrível reputação que perdurou muitas décadas. A considerar que nos contos de ficção onde personagens fossem os caninos o papel de vilão sempre era delegado para o bulldog (devido a fama de bandido e a cara de ferocidade, hoje considerada como virtude na raça)

Na realidade, poucos anos após a lei proibitiva das rinhas de animais ter sido promulgada, os Bulldogs puros permaneceriam apenas nas mãos de alguns indivíduos mal intencionados; o destino deles parecia drasticamente fadado à extinção. O destino conspirava contra essa herança genética extraordinária construída durante séculos de história, fatalmente parecia que chegaram a um acordo: a raça estava bem perto a extinção.



O legado: Amado por pessoas de todas as faixas etárias, especialmente seguro para conviver com bebês e crianças, no presente o atributo de ferocidade é uma característica inexistente na personalidade de Bulldog, ao mesmo tempo que a raça preservou a coragem, a tencidade, a sagacidade, a astúcia, bem próprias da raça, que nos rings de bullbaiting fizeram do Bulldog a raça canina mais famosa que existe.

O que resta do bullbaiting: - Ainda nos dias atuais poderemos, em algumas cidades britânicas, ver os anéis férreos (ring) onde fixavam as cordas que prendiam os touros...Como o anel de ferro, visível numa estrada da cidade de Branding, situada no Wight island, Inglaterra (foto na parte superior do bloco de imagens acima).

O exemplo: - Apesar de toda injustiça que os Bulldogs tiveram que suportar ficou provado que a qualidade humana tem uma capacidade extraordinária de mudar de atitude, e conseguir num curto espaço de tempo reparar aquilo considerado "perdido", tornando o cão marginalizado num maravilhoso presente que a mãe natureza nos concedeu, graças a ajuda dos seus protetores (os donos) que se converteram nos seus aliados e melhores amigos!



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Autor BCB NEWS
em 19/1/2018

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